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Diretor Geral do DNOCS não quer misturar projeto da Fapija com pleito do MST

O diretor geral do DNOCS, Emerson Fernandes Daniel Júnior, assegurou ao presidente da Federação das Associações do Perímetro Irrigado Jaguaribe Apodi (Fapija), Raimundo César dos Santos (Alemão), que não pretende misturar projetos de irrigação existentes com outro modelo pleiteado pelo Movimento dos Sem Terra (MST), apesar de ser favorável à agricultura familiar na irrigação. “A segunda etapa do projeto Jaguaribe Apodi é uma continuidade da primeira”, disse ele ao receber uma delegação da Fapija terça-feira (dia 13). 
Emerson Daniel afirmou que o MST não precisava invadir o projeto de irrigação Jaguaribe Apodi para pedir uma agenda para reunião no DNOCS. O diretor geral diferenciou o pleito do MST de um projeto viável que dá resultado. “Em hipótese alguma pode misturar atividades da Fapija e estas outras”, assinalou. O diretor geral lembrou que o DNOCS já liberou 20.957 hectares para o Incra que foram destinados a assentamentos em perímetros irrigados de diversos estados.
“Não pode misturar os dois modelos porque vocês estão pagando as tarifas K1, K2 e energia, mas é possível fazer um novo modelo de irrigação para atender a agricultura familiar num projeto específico”, disse ele. Conforme o executivo do DNOCS, a agenda com o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, foi pedida para o dia 22 de maio por solicitação do MST para tratar do pleito relacionado ao Jaguaribe Apodi, mas ainda não teve confirmação.
Alemão relatou que pediu a liminar ao juiz, que concedeu a reintegração de posse, porém ainda não foi cumprida. O presidente da Fapija acrescentou que vai informar ao juiz que os manifestantes do MST, que ocuparam uma área no projeto de irrigação Jaguaribe Apodi estenderam uma corda na estrada e exigem que o irrigante diga a onde vai, e também em momentos travam as comportas, o canal desperdiça água e interrompe a irrigação para as culturas.
O projeto de irrigação é mantido por 324 produtores que exploram lotes de quatro a 16 hectares e paga por mês R$ 350 mil a R$ 400 mil de energia elétrica, disse Alemão. “Este é um projeto caro, com um custo altíssimo que leva água do rio Jaguaribe para a chapada do Apodi com 110 metros de altura, bombeada com um motor de 2.850 C.V.”, afirmou.
O perímetro em 2013 faturou R$ 95 milhões, informou o gerente executivo, Karlos Welby. O valor inclui também as vendas das empresas que recebem água pelo Jaguaribe Apodi. O empresário Edson Brok, da Tropical Nordeste, disse que já vê mudança no bananal depois de uma semana sem irrigação em pleno pico da exportação, quando a interrupção da água se deu e não pode se preparar.
A empresa mantém 342 trabalhadores e na terça-feira 17 deles ficaram retidos no bloqueio do MST. Mas foram trabalhar à tarde, ele relatou. Mesmo com a movimentação que quebrou a rotina do projeto de irrigação, na sexta-feira a Tropical conseguiu embalar 7.840 caixas de banana para exportação, informou o empresário.
Edson Brok lembrou que quando se estabeleceu no entorno do Jaguaribe Apodi, há 17 anos, a segunda etapa do perímetro já estava lá, sem licitação. Segundo Karlos Welby, o DNOCS e o Ministério da Integração Nacional solicitam recursos para a segunda etapa do projeto, mas o Ministério do Planejamento não liberou dinheiro. “O que atrapalha é a falta de uma solução definitiva. Veem uma brecha, que a área está parada e vão lá”, disse ele com relação à ocupação, e pediu uma solução, indicando a inclusão na nova etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 3.
Quinta-feira (dia 15), na reunião do Ministério do Planejamento agendada para as 15 às 20 horas, Emerson Daniel disse que vai defender a inclusão do pleito do Jaguaribe Apodi no PAC 3. O empresário João Teixeira, da Frutacor, lembrou do então cardeal arcebispo de Fortaleza, dom Aloisio Lorscheider, que mediava este tipo de conflito, sugeriu que o DNOCS precisa ter profissionais de mediação para intervir nestas circunstâncias e recomendou chamar o deputado Eudes Xavier para intermediar o diálogo.
A chefe de gabinete do DNOCS Raquel Pontes, por sua vez, recomendou à Fapija que procure não acirrar os ânimos dos irrigantes. Os vereadores José Lins Guerra e Chico Baltazar, que participaram da audiência com o empresário Luis Carlos Almeida de Castro, produtor de sementes, enfatizaram que o cumprimento da ação judicial de reintegração de posse não pode demorar porque além dos manifestantes trazidos de outros municípios, os moradores da região estão sendo atraídos com a notícia de distribuição de terras. Os vereadores observaram que moradores com terras que eram irrigadas com poço, agora que a água secou aderiram à manifestação do MST.


Fonte: Dnocs

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