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Custo de medidores para irrigação será das distribuidoras

Medida passa a valer a partir de 1º de fevereiro de 2015.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu que a partir de 1º de fevereiro de 2015, a responsabilidade pelo custo de aquisição e instalação dos equipamentos de medição necessários para a aplicação dos descontos concedidos para as atividades de irrigação e aquicultura será de responsabilidade da distribuidora de energia e não mais do consumidor.
Desde os anos 90, os produtores rurais que necessitam irrigar as suas lavouras têm direito a um desconto na tarifa de energia elétrica, mas, para isso, precisavam adquirir um medidor voltado especialmente ao registro do consumo das cargas de irrigação. No entanto, os custos associados e dificuldades práticas para adquiri-los representam uma barreira para que pequenos e médios produtores rurais possam ter acesso ao benefício previsto em lei.
Os descontos variam conforme o nível de tensão (alta ou baixa) e são aplicados durante o fim da noite e o início da manhã do dia seguinte (geralmente de 21h30 de um dia às 6h do dia seguinte). Em 2013, 12.921 das 18.439 unidades consumidoras da classe rural do grupo A (conectadas em alta tensão) recebiam o desconto, ou seja, em torno de 70% das unidades do grupo A. Já no grupo B (conectados em baixa tensão), menos de 3,5% das 4.311.322 de unidades consumidoras da classe rural recebiam os descontos como irrigantes ou aquicultores.
Na sua decisão, a agência considerou aspectos como a redução dos preços dos medidores com funcionalidades horárias e a possibilidade de a distribuidora ter maior poder de barganha na hora de realizar compras de medidores em grandes quantidades. Vale destacar também que os descontos para a irrigação e aquicultura deixaram de ser um subsídio cruzado restrito à cada área de concessão e passaram a ser custeados por uma conta nacional, a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
A agência também estendeu a aplicação dos descontos às unidades consumidoras atendidas também pelo Sistema Isolado. Outro benefício importante é o de que os consumidores que ficarem inadimplentes não perderão mais os descontos como acontecia anteriormente, mas continuam sujeitos às medidas aplicadas a qualquer consumidor inadimplente, como multa e desligamento.


Fonte: Jornal da Energia

Produtores economizam e aumentam o volume de água em propriedades

Estudo monitora há dez anos a vazão de um rio próximo a Brasília. Projeto orienta agricultores a economizar e otimizar o uso da água.

Existem especialistas constantemente de olho no nível dos rios. Em uma bacia experimental da Embrapa, no Distrito Federal, 100 quilômetros quadrados de área são monitorados há 10 anos. A ideia é acompanhar como os ciclos d'água estão se comportando em uma região agrícola do Cerrado.
O pesquisador Jorge Furquim, da Embrapa, é responsável pelo monitoramento, feito no Rio Jardim, em Planaltina. O rio pertence à Bacia do São Francisco. Um pequeno aparelho com uma hélice, chamado de molinete hidrométrico, é colocado dentro da água pra medir a velocidade do rio em diferentes pontos. Outra aparelho registra o nível da água.
“Hoje estão passando 500 litros por segundo nesse curso de água. Há dez anos atrás, nessa mesma época do ano, estava passando em média, cerca de 700 litros por segundo. O que nos traz uma interrogação a respeito do que está acontecendo com esse rio, uma vez que a bacia também não está mudando suas características de uso. Mais de 90% da área dessa bacia é usada pra agricultura”, avalia.
O sinal de alerta está aceso e não para por aí. O pesquisador também instalou sessenta poços em propriedades rurais para acompanhar a profundidade do lençol freático, o reservatório subterrâneo de água.
Na época seca, em 2004, a água podia ser encontrada a uma profundidade em torno de oito metros. Este ano, só indo mais fundo, dez metros de profundidade.
Na Embrapa Cerrado está instalada a estação climatológica que vem monitorando as chuvas na região. “Os valores que na década de 70 giravam em torno de 1500mm de chuva por ano, hoje em dia estão na faixa de 1200, nos últimos 10 anos. A gente precisa de chuvas acima da média e por uns dois, três anos pra que a gente recupere o nível da água que está armazenada no solo e volte a ter uma vazão normal dentro dos nossos rios”, declara o pesquisador Jorge Furquim.
Em Brasília, na Agência Nacional de Águas – ANA é possível entender melhor essa crise. Tudo o que acontece nas bacias da União está registrado em grandes painéis. Patrick Thomas, superintendente adjunto de regulação da ANA, fala sobre as áreas críticas. “Em primeiro lugar o Nordeste, que vem atravessando o terceiro ano de seca consecutivo. Em segundo lugar a região sudeste, principalmente São Paulo e parte de Minas. As chuvas que deveriam ter vindo da região da Bolívia, Peru, pra região sudeste do Brasil não vieram. Nós tivemos uma falta de água na região sudeste, que levou a pior estiagem da história no Sistema Cantareira, por exemplo. E, ao mesmo tempo, nós tivemos as piores cheias na região norte, especialmente na região da Bacia do Rio Madeira”.
Patrick Thomas explica como a ANA atua em momentos de crise. “Ela pode restringir os usos, suspender os usos, alocar água entre usuários, ou seja, retirar de um uso, como a irrigação, para poder atender as cidades, que são uso prioritário, pode também restringir o uso industrial. Nós não
desejamos adotar essas medidas”.
No município de Cristalina, em Goiás, não falta água para a agricultura. Na região são 200 barragens que abastecem quase 700 pivôs. A área irrigada no município chega a 53 mil hectares. As barragens foram construídas com licença ambiental e devem garantir a vazão da água para manter os rios.
Luiz Carlos Figueiredo é um dos agricultores beneficiados pelas enormes "caixas d'água” da região. Apesar da facilidade pra obter água, ele sabe do seu valor. “A gente procura evitar irrigar durante o dia, irrigamos mais à noite. Ela custa caro. A água não vem de graça aqui, nós temos que usar motores, usa energia elétrica, se nós não soubermos administrar bem nós estamos jogando água fora, dinheiro fora”, afirma.
Na fazenda de Luiz Carlos, outra maneira de evitar o desperdício é o uso de um tipo de pivô, que joga a água bem em cima dos pés de café. Com a irrigação, o agricultor deixou de ser refém do clima. Nada de seis meses de chuva, seis de estiagem, como é o comum na região.
“Nós aumentamos uma safra na mesma área e na produtividade ganhamos mais uma safra. Isso para o meio ambiente é colossal, não vamos precisar abrir mais área para produzir estas duas safras”, diz Alécio Maróstica, presidente do Sindicato Rural de Cristalina.
Mas parece que economizar já não basta. Em Planaltina, no Distrito Federal, é desenvolvido um dos projetos coordenados pela Agência Nacional de Águas. O Projeto Produtor de Água vem funcionando há dois anos e meio. Ele surgiu de um conflito entre o abastecimento da cidade e o uso da água na agricultura.
A disputa é pela água do Ribeirão Pipiripau, como conta André Moura, da Agência Reguladora de Águas. “A vazao do ribeirão diminuiu nos últimos anos em razão da ocupação desordenada da bacia. A ANA autoriza retirar até 400 litros por segundo. A companhia de saneamento só tem tirado 250 litros por segundo pra não atrapalhar a produção de alimentos”.
Um canal que faz parte da Bacia do Ribeirão, atende 84 produtores, mas em seu percurso perde um terço da água disponível. “são problemas de infiltração, por ser um canal escavado no próprio solo. Há necessidade de se fazer um trabalho de revestimento ou então a parte de tubulação desse canal”, explica o agrônomo da Emater, Sulmar Ganem.
A recuperação do canal vai ajudar a evitar perdas de água, mas a ideia do projeto é que o agricultor faça a sua parte, aprendendo a conservar e produzir esse recurso tão importante. “Mantendo a cobertura vegetal sobre o solo. Que pode ser floresta, mas pode ser cultura também. E outra, criando estruturas como terraços, barraginhas, que ajudam a reduzir a velocidade da água e permitem melhor infiltração. Nós estamos trabalhando um conjunto de técnicas com diversos produtores, a origem disso é baseada no pagamento por serviços ambientais porque nós temos que entender que o produtor ao fazer isso, não gera benefícios só pra propriedade dele não, ele gera benefícios pra sociedade como um todo”, explica Devanir dos Santos, gerente de uso sustentável da água e solo da ANA. O pagamento varia de 200 a 250 reais por hectare ao ano, dependendo do uso da área.
Em uma reserva legal, em recuperação, na região, foram plantadas 18 mil mudas de espécies nativas. O agricultor Carlos Eduardo Sé, dono da área, já percebe diferença. “Há uma semana eu tirei uma mandioca e ela estava úmida em plena seca, então a água vai sendo preservada e vai mantendo essa umidade”, conta.
A ideia é a seguinte: quando a chuva cai, se o solo estiver descoberto, vai haver erosão e a água, junto com terra, vai pro rio. O leito do rio vai ficando mais raso e a água logo, logo estará no mar, sem ter sido aproveitada.
Se o solo estiver coberto com vegetação, a água ficará retida e terá mais tempo pra penetrar e chegar ao lençol freático, que aos poucos, vai abastecer o rio no período seco.
Em outra propriedade, Daniel Pires sentiu na pele a necessidade de cuidar do solo e virou produtor de água. “A água descia de forma desordenada, destruindo tudo que encontrava lá pra baixo. A estrada era precária. Eu não gosto nem de lembrar”, diz.
A estrada, antigamente, virava um caminho pra água, sofria erosão. Devanir dos Santos , gerente de uso sustentável da água e solo da ANA, explica as mudanças feitas no local. “Agora ela foi toda interrompida com os peitos de pomba, como a gente chama, que são estas estruturas de elevação, e a água é obrigada a entrar nos terraços”.
Os terraços são linhas no campo, barreiras de terra, que diminuem a velocidade de escoamento da água. “Vai terminar o período de chuva e essa água vai estar alimentando o rio. Então eu praticamente distribuo a chuva que caiu em seis meses no ano todo”, diz Devanir.
“Tô ansioso pra que chegue a chuva pra gente testar”, comenta o agricultor Daniel Pires.
Ainda não dá pra medir resultados, mas é uma semente de mudanças. E agricultor vive pra semear. Triste é quando nem isso consegue fazer. 
Os meteorologistas têm um consenso. Não há sinais de que o início da estação de chuvas atrase nessas regiões que vimos na reportagem. Elas podem voltar no fim de setembro, começo de outubro. O que não se pode prever é a intensidade dessas chuvas.


Fonte: Globo Rural

Com irrigação 'econômica', Expoflora começa nesta sexta em Holambra, SP

A 33ª edição da mostra buscou alternativa para driblar estiagem no estado. O evento segue até o dia 28 de setembro sempre de sexta-feira a domingo.

A 33ª Edição da Expoflora abre as portas para o público nesta sexta-feira (29) em Holambra (SP). A cidade, colônia holandesa, sedia a mostra de flores e plantas ornamentais desde 1981. Na edição de 2014 ,que segue até 28 de setembro sempre de sexta a domingo, a organização do evento teve que se adaptar em função do período de estiagem que atinge o estado de São Paulo. A saída foi uma irrigação "econômica". Veja a galeria de fotos.
Segundo um dos membros do comitê organizador da mostra, Paulo Fernandes, apesar das plantas e flores serem cultivadas em ambiente com a temperatura controlada, houve alterações no sistema de conservação das plantas para esta edição da Expoflora. "Adotamos um sistema de irrigação por gotejamento, assim melhoramos o aproveitamento da água", explica Fernandes, sobre a técnica que diminui o fluxo de água.
Apesar das alterações, porém, o organizador afirmou que os visitantes não devem notar a diferença na feira. "É uma maneira mais inteligente de utilizar a água sem quebra na quantidade ou qualidade das flores", garantiu. Segundo ele, a economia de água pode chegar até 75% em relação ao métrodo tradicional.

Mostra

Em 2014, a organização do evento espera receber 300 mil visitantes. Essa quantidade representa quase 30 vezes mais pessoas do que a população de Holambra. Segundo censo do IBGE de 2010, a cidade cujo nome é composto pela junção das palavras Holanda, América e Brasil, é de 11 mil habitantes.
O espaço da mostra dedicado ao paisagismo existe desde 2004 e tem ambientes temáticos espalhados em um parque de 250 mil m². Nesta edição o foco são os jardins festivos. Entre as situaçõe exploradas na decoração estão a recriação de um piquenique, um casamento a céu aberto, lual e chá da tarde.
Além da exposição, os visitantes também podem participar de um passeio turístico pela região da antiga colônia holandesa e por um campo de produção de flores.
Entre as atrações mais populares da mostra estão o desfile de carros alegóricos e a chuva de 150 quilos de pétalas, que dura quase três minutos. Para a produção da chuva são necessárias 18 mil rosas. Conforme a tradição do evento, quem pega uma das pétalas antes dela atingir o chão, tem seus desejos atendidos.

Pratos típicos

Outro foco da feira é a imersão dos visitantes na cultura holandesa. Para isso, a área gastronômica da festa oferece pratos típicos da região. Em 2014, os restaurantes da festa oferecem o Speculaas, ou os espelhinhos de São Nicolau, um tipo de biscoito feito com especiarias típicas da região europeia como cardamomo e pimenta.
O stroopwafel é um biscoito recheado de caramelo feito num formato para ser repousado sobre a boca de uma caneca de chá ou chocolate quente. O vapor da bebida derrete o recheio do biscoito que fica cremoso por dentro.
Entre os pratos principais predominam as carnes suínas, como a costela e os embutidos, os famosos salsichões. O acompanhamento desses pratos também é típico dos países baixos: os purês. Além dos clássicos, feitos com batata e cenoura, também é possível encontrar purês de maçã, batata com rúcula, tomate e amêndoas, batata com chicória e gorgonzola além de alho-poró e pesto.

Venda de flores

Além dos 28 ambientes que compõem a Expoflora, o evento, com investimento total R$ 3,7 milhões segundo a organização, recebe também o shopping de flores, com foco na comercialização de flores e plantas ornamentais. Em nota, a organização informou que uma média de 300 produtores vão disponibilizar, para venda, 300 variedades de 200 espécies de plantas nos dias da festa. O espaço do chamado shopping de flores fica localizado numa área de 3,3 mil m².
Para quem leva as plantas para casa, a mostra promove um evento, aos fins de semana, sempre às 12h45, com as floristas Leonice Mendes e Tânia Santos. Elas dão dicas para a melhor maneira de cuidar das flores.
Entre as dicas, Leonice instrui para o uso de apenas uma pequena quantidade de água para a conservação de rosas. "A absorção de água acontece apenas pela base do caule, se você cobrir toda a planta com água ela vai se afogar e murchar", explica.
Além disso, segundo ela, as famosas orquídeas devem ser regadas duas vezes por semana com bastante água. "Você deve colocar o dedo na terra onde a flor está plantada, se ele sair limpo é necessário usar mais água", orienta a florista.
A exposição de flores e a mostra de paisagismo da 33ª Expoflora segue até o dia 28 de setembro.

Serviço:

O que: 33ª Expoflora
Quando: de 29 de agosto a 28 de setembro, de sexta-feira a domingo
Horário: das 9h às 19h
Localização: Holambra, SP 340, Rodovia Campinas-Mogi Mirim, saída 140.
Ingressos: R$ 34 na bilheteria
Informações para o público: (19) 3802-1421 e expoflora@expoflora.com.br


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